Estrutura instalada no AgroBrasília (DF) será centro de referência para análises, pesquisa e qualificação da vitivinicultura no país.
A Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin) deu um passo importante para o futuro da vitivinicultura do país com a inauguração de seu Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira, em Brasília (DF). A iniciativa, realizada em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), marcou um novo capítulo para o segmento da dupla poda no País.
Instalado no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, o espaço nasceu com a missão de impulsionar a competitividade, estimular a inovação e consolidar padrões de excelência para os vinhos brasileiros produzidos fora do eixo tradicional do Sul. A estrutura foi concebida para atender às mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin, distribuídas pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Chapada Diamantina, além de produtores de outras localidades interessados em realizar análises técnicas de seus produtos.
O novo laboratório assumiu papel estratégico na qualificação e no avanço técnico da vitivinicultura brasileira. A estrutura passou a permitir a realização de análises laboratoriais de alta precisão, tanto físico-químicas quanto sensoriais, além de programas de qualificação técnica voltados ao setor. Tudo isso contribuiu diretamente para a elevação dos padrões de qualidade e para o aprimoramento contínuo dos processos produtivos das vinícolas.
O espaço também passou a oferecer suporte técnico especializado às vinícolas, auxiliando na superação de desafios enológicos e produtivos, bem como promoveu cursos, treinamentos e workshops destinados à formação e atualização de profissionais.
Com investimento de R$ 3,4 milhões feito pela ABDI, a unidade passou a empregar técnicos, gerando impacto positivo na economia regional e reforçando o compromisso da associação com o desenvolvimento sustentável da cadeia vitivinícola.
A consolidação de um movimento que transformou a vitivinicultura brasileira A produção dos Vinhos de Inverno, resultado da técnica da dupla poda desenvolvida pelo pesquisador brasileiro Murillo Regina, revolucionou o calendário vitícola brasileiro ao transferir a colheita para o período seco. O manejo passou a estar sob a responsabilidade de mais de 55 vinícolas associadas à Anprovin. Todas seguiram critérios rigorosos de certificação e receberam o selo da entidade, que garantiu a procedência e qualidade do produto final.
Esses vinhos passaram a ser elaborados em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal. Juntos, os produtores somaram aproximadamente 1,2 milhão de videiras plantadas, com uma produção anual próxima de 1 milhão de garrafas. A projeção indicou que esse volume seria triplicado nos próximos três anos, acompanhando o amadurecimento dos vinhedos e a entrada de novos rótulos no mercado.
Parte das vinícolas associadas já atuava há mais de duas décadas, inclusive com estruturas consolidadas de enoturismo. Outras encontravam-se em fase de implantação e expansão, finalizando etapas de plantio e vinificação. Em breve, esses novos projetos também estariam presentes no mercado nacional.
“A implantação do Laboratório de Certificação no Distrito Federal simbolizou o fortalecimento da vitivinicultura brasileira fora do eixo Sul e ofereceu suporte estratégico aos produtores do Centro-Oeste, Sudeste e de novas fronteiras vitícolas, como a Chapada Diamantina (BA). Mais do que uma nova estrutura física, o investimento consolidou um ambiente técnico-científico voltado à excelência, à rastreabilidade e à consolidação dos Vinhos de Inverno como um dos segmentos mais inovadores do vinho brasileiro”, reforçou Cláudio Góes, presidente da Anprovin.
Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli: “Essa nova estrutura representou um avanço importante para estimular a inovação no setor. Fortalecemos a capacidade das vinícolas do Centro-Oeste e de outras regiões de investir em tecnologia e elevar a qualidade da produção, impulsionando os Vinhos de Inverno. Foi também uma forma de ampliar oportunidades e apoiar quem quer produzir cada vez mais e melhor.”