Técnica da dupla poda e selo de autenticidade da Anprovin consolidam o Vinho de Inverno como símbolo de qualidade e identidade nacional

Uva vitivinífera, casta utilizada para elaborar Vinhos de Inverno Crédito: Canva
O termo “Vinho de Inverno” tem ganhado destaque nas cartas de restaurantes, concursos e prateleiras especializadas do país. Mas o que exatamente define esse tipo de vinho e por que ele representa uma revolução na vitivinicultura brasileira?
A resposta está na técnica da dupla poda, um método de manejo que inverte o ciclo natural da videira, permitindo que a colheita aconteça no período seco do ano, entre junho e agosto. Essa estratégia, desenvolvida e aprimorada no Brasil, cria as condições ideais para o amadurecimento das uvas com temperaturas mais amenas, pouca chuva e alta amplitude térmica.
Esses fatores resultam em uvas mais equilibradas, com maior concentração de açúcares, taninos e compostos aromáticos, o que se traduz em Vinhos de Inverno com qualidade superior, elegância e identidade sensorial própria.
“O Vinho de Inverno é o símbolo da capacidade brasileira de unir ciência, clima e terroir para produzir vinhos de excelência”, explica Claudio Góes, presidente da Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin). “Essa técnica permite que o país produza vinhos finos em regiões de clima tropical, algo que antes era considerado inviável.”
Do campo à taça: o que diferencia o Vinho de Inverno
Enquanto os vinhos tradicionais do Brasil são elaborados com uvas colhidas no verão, época de chuvas intensas que podem comprometer a maturação, o Vinho de Inverno nasce de um processo que aproveita o inverno seco e ensolarado para alcançar a maturidade ideal das uvas.
O resultado são vinhos que apresentam cor intensa, aromas marcantes e estrutura equilibrada, destacando o potencial de regiões como Sul de Minas, Serra da Mantiqueira, Planalto Central e Chapada Diamantina. Além de expressar o terroir local, esses vinhos reforçam a vocação inovadora da vitivinicultura brasileira.
Segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o Brasil ultrapassou em 2024 a marca de 30 milhões de litros de vinhos finos produzidos, e o segmento de vinhos de inverno cresce em média 15% ao ano, impulsionado pela qualidade e pelo interesse do consumidor por produtos de origem controlada.
O selo “Vinho de Inverno”: garantia de autenticidade e confiança
A Anprovin é a entidade responsável por implementar o termo “Vinho de Inverno” e por criar o selo de certificação que garante a autenticidade desses rótulos. Esse selo assegura que o vinho foi produzido com uvas provenientes da técnica da dupla poda, dentro dos critérios de clima e terroir definidos pela associação.

O selo que garante autenticidade e qualidade Crédito: Divulgação
Atualmente, a Anprovin reúne mais de 60 vinícolas associadas em seis estados brasileiros, sendo eles Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia e Distrito Federal, todas comprometidas com práticas sustentáveis e padrões rigorosos de produção.
“Quando o consumidor encontra o selo ‘Vinho de Inverno’ no rótulo, ele tem a garantia de estar levando para casa um vinho autêntico, resultado de uma vitivinicultura moderna, sustentável e que expressa o melhor do Brasil”, reforça Claudio.
Um movimento que valoriza o produtor e o território
Além de impulsionar a qualidade dos vinhos nacionais, o movimento dos Vinhos de Inverno tem gerado impacto positivo nas economias locais. Vinícolas associadas à Anprovin investem em enoturismo, capacitação e valorização cultural, promovendo experiências que unem ciência, gastronomia e identidade regional.
De acordo com a Embrapa Uva e Vinho, os Vinhos de Inverno já representam cerca de 20% da produção nacional de vinhos finos fora da Região Sul, consolidando o Brasil como um produtor relevante em latitudes tropicais.
Com o selo “Vinho de Inverno” e o trabalho coletivo da Anprovin, o Brasil conquista
um espaço de destaque no mapa mundial do vinho, não apenas pela inovação tecnológica, mas por criar uma categoria genuinamente brasileira, que alia ciência, qualidade e orgulho nacional.


